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PORTALFORRO.NET – Coluna Falando em Forró: Mara Pavanelly lança o DVD ”Intimate”

Escutando o áudio e assistindo ao DVD ”Mara Pavanelly Intimate” e me sinto encantado. Ela conseguiu faz um trabalho acústico sem parecer sertanejo o tempo inteiro, embora lá no fundo lembre o estilo da Marília Mendonça, sem tentar parece o Wesley Safadão ou o Aviões do Forró, que anularam a própria essência em prol do sucesso nacional, deixando o forró no nome mas ofuscando a ”prática” do mesmo, nada contra embora não me agrade e, independente da minha opinião, ter dado muito certo.
Mara conseguiu escolher um repertório que engloba clássicos do forró e sucessos próprios, inéditas e participações especiais que elevam o trabalho. Isso é muito bom pra carreira e pro ritmo caso ela mantenha o foco no forró nos lançamentos de singles e próximos promocionais.
A voz de Mara está bem trabalhada, sem gritos e exageros. Claro que o tom alto dela favorece bastante os enfeites mas quando feitos com consciência que mal tem? O trabalho está bonito sim e assumindo que ela está viajando na levada acústica, faz muito bem se isso trouxer novos fãs pra ela e pro forró. Sucesso é tudo que desejamos porque talento essa baixinha forrozeira tem e não dá pra negar!

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PORTALFORRO.NET – Coluna Falando em Forró: Magníficos lança CD de verão e o resultado…hmmm….

img_6373Eu queria, antes de tudo, declarar publicamente e, mais uma vez, que sou um grande e eterno fã da Banda Magníficos.  Falo como forrozeiro que acompanhou as diversas fases da banda e guarda com carinho os CDs originais e um acervo de recordações fantásticas, vindas de centenas de shows frequentados.
Posto isso, deixo claro que a condução da marca, que está extremamente abalada e desfigurou-se em uma nova banda com sonoridade amorfa e que nem de longe lembra a batida original que revolucionou o forró romântico na década de 90 e anos 2000, é triste. Fomos mais uma vez ludibriados com um CD promocional que usa o nome “Banda Magníficos” e o repertório do grupo, tem como ferramenta excelentes músicos e vozes de ouro, mas que não é a legítima banda de forró, conhecida como ”A preferida do Brasil”, lá de Monteiro.
Um CD de “Verão” com o único objetivo de atualizar a agenda de shows, sem nenhum zelo pela sonoridade original, tirando de contexto o pouco de novidade de forró que resta no repertório daquela equipe que tá lá para magoar milhares de seguidores e fãs, é uma idéia digna de pouco ou nenhum aplauso. A banda merece uma atenção maior em seus lançamentos e direcionamentos artísticos, visto o enorme valor de seu legado. Essa iniciativa de fazer um trabalho elétrico (dessa vez não apelaram pro sertanejo) não pode ter vindo de seus cabeças que historicamente nos surpreenderam com música boa. A Magníficos historicamente sempre teve um repertório altamente copiado, bem como seu grande estilo e metais primorosos e fugir disso é comprometer totalmente a própria essência, que já vem sendo suprimida há pelo menos uns 5 lançamentos desde a saída de vocalistas clássicos. Descanse em paz nas nossas memórias ou ressurja um dia com a qualidade de sempre, um abraço para a saudosa Magníficos. Doeu!
LINK:

PORTALFORRO.NET – Análise crítica do DVD Edson Lima e Batista Lima: O grande encontro das Vozes

Os irmãos Edson e Batista Lima se uniram recentemente no projeto ”O grande encontro de vozes” e já percorrem o Nordeste em uma tour que promete emocionar os corações apaixonados. Amados pelo público forrozeiro, que aprendeu a admirar o talento de ambos como compositores e músicos, Edson e BL estão em nova fase na carreira e mergulharam sem receio na sonoridade do mercado da música romântica atual. Sim, estamos falando mais uma vez de um trabalho de natureza madura, romântica e que nos remete a levada sertaneja que busca conquistar os jovens e abraçar a fatia de forrozeiros antigos que aceitam uma sonoridade vasta que engloba forró, arrocha e a ”moda romântica”, com pegada acelerada e pra cima.

O repertório é o grande acerto do trabalho. Escolhido com muita inteligência e em parceria, algo extremamente forte e presente entre os irmãos desde os tempos da Limão com Mel, eles acertam do começo ao fim pelas regravações bonitas e inéditas nas vozes de ambos. Independente da pegada e dos arranjos, é louvável a capacidade, sobretudo de Batista Lima, de cantar de várias formas diferentes as canções que já se consagraram na carreira deles, até mesmo em duetos que cada um já performou com vozes femininas e que nesse DVD ganham nova conotação com a dupla. É como uma carta na mão e símbolo da persistência no mercado, que somada ao estilo clássico de Edson e Batisa, abrilhantam o DVD.

A qualidade audiovisual é outro ponto digno de destaque. Com imagens bonitas e um jogo de câmeras super bem colocadas, o clima intimista do trabalho faz com que o telespectador se transporte ao palco e/ou a multidão baiana que acompanhou a gravação. O clima das músicas em arrocha é ligeiramente melhor que o sertanejo e inferior ao pouco forró existente no trabalho. A banda que acompanha os artistas é impecável e se destaque nos arranjos de cada instrumento e do competente “vocal do BL”, o time de back que já comentamos aqui no site.

Ainda dói um pouco ouvir clássicos que já fazem parte da memória afetiva do forrozeiro em ritmos acelerado e  que remete às raízes de ”Goiania” ou ”Minas Gerais”, quem não consegue imaginar a levada forrozeira clássica só de ouvir o nome de músicas como Leilão, Toma conta de mim e Leilão?   O forrozeiro que aprecia qualidade certamente prefere falar ”Alô, coração” em vez de ”Aoowww modão” e o forró que vem de Salgueiro-PE ainda vai ser sempre mil vezes melhor que as batidas de plástico da música sertaneja atual representadas por nomes como Luan Santanna, Jorge & Matheus e agora no nordeste pela dupla (forroneja?) Edson & Batistsa Lima. Todo respeito a esse trabalho de qualidade e que merece ser assistido por cada um de vocês!

Escute e baixe o áudio completohttp://www.suamusica.com.br/batistalimaoficial/dvd-o-grande-encontro-das-vozes

Assista ao DVD completo, clicando no link a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=pWk-Vl9-DjM

PORTALFORRO.NET – Coluna Falando em Forró: Batista Lima divulga CD inédito ”Vai dar casamento”

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Lenda viva do Forró Romântico e certamente um dos melhores artistas que esse ritmo já testemunhou, seja em composições e produção musical como também na assinatura vocal no romantismo. Difícil encontrar um forrozeiro autêntico que não curta o seu trabalho ou não admire sua obra enquanto dominava o forró Limão com Mel.
O tempo passou e o curso natural da carreira de um cantor que se engrandeceu finalmente encontrou lugar na oportuna carreira solo de Batista Lima. Em um mercado extremamente desgastado e altamente competitivo, o músico reinventou a própria história e segue firme em seus lançamentos. Após um CD de estréia diferente do habitual, um DVD ao vivo muito bem concebido e um trabalho promocional, sem contar na tour em conjunto com o irmão Edson Lima, Batista acaba de lançar seu segundo trabalho em carreira solo.
O novo CD parece mais consistente e revelador a respeito de suas pretensões musicais mas não trago notícias boas para os forrozeiros que não curtem outros ritmos. O músico colocou mais uma vez muito ritmo em suas composições românticas e abraça de vez essa sonoridade amorfa que ora pende ao sertanejo e ora se alinha a um vanerão romântico numa batida única mas que se arrasta um pouco em busca de identidade. O bordão “Na pegada do BL” nunca foi tão claro em suas intenções sertanejas e de se adequar ao desejo do mercado atual, é pra atrair gente nova para a base de fãs e convencer os fãs ardorosos a aceitarem de vez que no forró ”agora é tudo novo”, uma pena.
Ao longo de 11 faixas com letras ricas, é triste ver que aquele ritmo romântico típico do Batista Lima (nos tempos que ele era a própria Limão com Mel), foi abandonado por um caminho alternativo ao forró. Na prática, só a quarta faixa “A insônia, eu e a cama vazia”, a sexta ”Vai pode ir” e a faixa bônus ”Só você e nada mais” são forró autêntico, todas as outras são vanerão+sertanejo com pitadas de sanfona, inclusive a esperada ”Não era amor” em parceria com Silvânia Aquino (Gigantes do Brasil) que explora a qualidade vocal de Batista e Silvania em um refrão que fala do fim de um amor e os motivos que levam a acabar. O foco da divulgação deve ficar em cima do dueto com Silvania Aquino e a faixa que abre o CD ”Vai dar casamento”, o publico deve abraçar com carinho ambas ou pelo menos uma delas!
O trabalho inteiro é, na verdade, muito bom mas divide opiniões. É uma alegria imensa baixar um CD de um artista querido do público e não ouvir menção a cachaça e paredão e com romantismo predominante, agradando amplamente aos corações, mas o ritmo assertanejado decepciona para quem enxerga em Batista uma salvação para o nosso forró tão deteriorado. Batista Lima (assim como Daniel Diau) é uma espécie de messias e lenda viva do forró romântico e, enquanto poderia andar na contramão do mercado, ele se renova vestindo de vez uma camisa diferente da proposta que o consagrou perante o público e entra de forma abrupta ao mercado agressivo da música popular romântica bem sucedida de gente como Zezé di Camargo, Jorge e Matheus ou Vitor & Leo, uma vez que o forró estilizado da geração a que pertence aparece de forma secundária. Sucesso para o cantor em seu novo nicho e com sua nova pegada, a ”Pegada do BL”, nós ficamos aqui de ouvidos abertos esperando mais forró pelo menos nos shows ao vivo e por que não nos próximos lançamentos?

Nota: 👍 👍 👍 😐 😐

Pontos altos:  repertório romântico, arranjos bem elaborados, backing vocals extremamente afiados, participação de Silvania Aquino, capa do cd e material gráfico

Pontos fracos: predomínio do sertanejo em detrimento do forró estilizado e trabalho com poucas faixas  

BAIXE AGORA:

http://www.suamusica.com.br/cdbatistalima2016

 

PORTALFORRO.NET – Caviar com Rapadura divulga CD de 20 anos de sucesso com nova formação

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Com 20 anos de mercado forrozeiro, a banda Caviar com Rapadura ressurgiu das cinzas há alguns dias e com os vocalista Hebert (ex-vocalista do Mastruz com Leite e irmão da cantora Ana Amélia), Jady Sousa e o sanfoneiro Elias Mearim deu início a comemoração dos seus 20 anos de carreira em grande estilo. O grupo havia paralisado as atividades após o desligamento do cantor César Dantas, que agora segue em carreira solo, e agora a nova frente da Caviar volta em grande estilo.

Acaba de ser lançado um novo trabalho promocional e o resultado é surpreendente, pois corresponde às expectativas em torno da data e da comemoração de um grande grupo de forró. Recheado de sucessos, o novo cd contém sucessos das principais fases da banda, que é recordista em formações diferentes no mercado forrozeiro, e que desta vez aposta em um afinado trio de cantores. Um sanfoneiro/cantor e mais duas vozes agradáveis compõe o time da Caviar com Rapadura – 20 anos.

A abertura do álbum chega a dar um pouco de frio na barriga por incluir dois sucessos atuais ”Bora beber” e ”Me grite” mas, em seguida, vemos que a Caviar pretende unir gerações de fãs de todas as épocas e compor seu repertório com qualidade e a tradicional ”mistura que deu certo” ao longo de toda a sua trajetória. Hinos como Meu mel, My mistake, Amanhecer no sertão, Balançando o esqueleto, Internauta do amor, Brigas de amor, Amoremio, Me namora, Don’t go, Só pode ser amor, Meu novo amor e tantas outras não ficaram de fora, dá gosto de reviver.

A qualidade musical foi mantida e respeitada ao longo de todo o trabalho e na releitura dos clássicos. A voz de Jady Souza representa muito bem os vocais femininos, que um tom de voz autêntico faz interpretações seguras de músicas e lembra um pouco o talento de uma das famosas cantoras que passaram pelo grupo, Cláudia Lauterer. O cantor e sanfoneiro Elias Mearim é uma granta surpresa do CD pois além de tocar o instrumento principal do forró, ele arrisca nos bordões e, em meio a boas músicas, abraça a equipe chamando ”esse é meu Caviar” (aliás, que legal ouvir a tradicional vinheta Caviar com com com Rapadura). Herbert Souza já havia voltado ao forró há um tempo mas depois de passar pelos backs do Forró 100% e Samyra Show, o cantor, ex-Mastruz, volta a frente de uma banda e faz bonito com sua voz extremamente técnica e comportada, um tom manso e muito agradável de escutar. O trio de cantores pode sim ser considerado uma das grandes revelações do forró em 2016!

É uma alívio para os ouvidos (e para o coração) perceber o cuidado da produção musical de um grupo que sempre teve muito zelo em sua sonoridade ao longo de toda a discografia. Não ouvir o swingão misturado a acordes confusos de música sertaneja e arrocha dá orgulho de ser forrozeiro, é o nosso forró estilizado com sanfona, inovações necessárias mas com a identidade escancarada no ar para o deleite dos forrozeiros de ontem e da nova geração. A banda que já teve gente como Cláudia Lauterer, Berg Rabelo, Aduílio Mendes, Joelma Rios, Solange Almeida e uma imensa lista de estrelas do forró está pronta para o recomeço e para esta nova tour de 20 anos. O download do novo CD é imprescindível para você que curte música nordestina de primeira qualidade, pode confiar!

 

Nota: 👍 👍 👍 👍 👍 

Pontos altos:  repertório romântico, músicas autorais, performance vocal dos três vocalistas, arranjos diferenciados porém respeitosos com a memória musical da banda

Pontos fracos: os vocalistas confundem pequenas partes das letras em alguns versos e ausência compreensível de alguns sucessos

BAIXE AGORA: 

http://www.suamusica.com.br/caviarcomrapadura20anos

PORTALFORRO.NET – Coluna FALANDO EM FORRÓ: O que achamos do primeiro trabalho oficial do Gigantes do Brasil?

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O forró é feito de caminhos e encontros que deixam suas marcas no público e que, às vezes, voltam a se encontrar. Após os incontáveis pedidos e preces a São Luiz Gonzaga dos românticos, as vidas de Paulinha Abelha, Silvânia Aquino e o ”messias” dos agudos potentes, Daniel Diau, voltaram a se encontrar nos estúdios e palcos. O resultado é o primeiro CD oficial da Banda Gigantes do Brasil!

É impossível não reconhecer o valor da banda Calcinha Preta para a história do forró moderno, amplificando um estilo de forró que não criaram mas que souberam levar à mídia como pouquíssimos representantes do ritmo e nesse contexto podemos tentar compreender melhor a euforia do público e a formação do Gigantes do Brasil (GB).

As negociações acabaram tomando o mesmo ritmo das exaustivas campanhas virtuais de ”Volta Diau” e depois de uma novela de desfecho surpreendente, empresários misteriosos trouxeram o cantor à presença de Silvania, aclamada como uma das melhores vozes da música nordestina, e de Paulinha Abelha, a cantora de forró com um dos maiores e mais apaixonados fã clubes do país.  Foi preciso muita conversa entre empresários e artistas para que o rumo fosse acertado. O projeto uniu egos, insatisfações, carismas e talentos em uma nova história, que vem da Calcinha Preta mas tem uma proposta inédita e, como esperado, vem causando rebuliço. O que será que o forrozeiro pode esperar ao ouvir o primeiro trabalho oficial e inédito do trio?

Coragem. O repertório pode ser definido como um dos mais inteligentes dos últimos anos e facilmente figura entre os melhores álbuns de 2016 por razões complexas mas que enumeramos abaixo:

 

1 – A autenticidade: em não mudar de estilo radicalmente numa tentativa desesperada de conquistar o público. A banda chegou prometendo apenas qualidade e satisfação dos próprios membros e isso talvez tenha sido mesmo uma escolha sábia. O grupo contou com uma intensa divulgação nas redes sociais com mini-vídeos, que foram replicados aos milhares num fenômeno de mídia espontânea muito interessante.

Enquanto todo mundo esperava uma releitura de clássicos da Calcinha Preta, que estão presentes ao longo do show, ou repetição da fórmula que nos apresentou Paula, Silvania e Diau, o GB buscou a direção oposta mas sem perder a essência do que os membros gostam de fazer: tocar forró e estar nos holofotes e para isso tem um preço. Na prática, é forró romântico autêntico o ritmo atual com pitadas modernas aqui e acolá mas do jeitinho deles, sem prender o público ao clichê musical, sem decepcionar o público nem perder a si mesmo.

2 – Romantismo em foco: independente do enfoque de cada canção é muito claro que o ouvinte vai se deparar em praticamente todas as faixas com temas que falam ao coração, com intervalos apenas para uma canção que exalta o show da banda e outra que fala de selinhos. A primeira música de trabalho Volta dá ao público o que ele mais queria: ver Diau na ativa, Silvania em um dueto com o cantor e um ritmo gostoso que, embora não tenha arrepiado tanto quanto alguns queriam, foi uma ótima estréia com bons precedentes e gerando entusiasmo na mídia e no público. Não dá pra negar que a banda reacendeu aquele desejo de saber como será o próximo lançamento e as novidades do trio (coisa que muitos não sentiam há um bom tempo, em se tratando de forró romântico).

3 – Produção musical equilibrada: a realidade é triste e infelizmente a sonoridade do forró mais antigo anda cada dia mais em desuso, vendendo pouquíssimos shows, e foi substituída pela metaleira, encabeçada por bandas como Aviões e Wesley Safadão. Infelizmente a minoria dos novos forrozeiros da nova geração está acostumada a ouvir falar de amor com sanfona, guitarra e sax marcantes. O nível baixíssimo das letras atuais vem acompanhado por metais afobados e desorganizados e verdadeiras lapadas nas baterias, praticamente sem os instrumentos que ajudam entoar as melodias.

A banda foi inteligente e escalou Marquinhos Maraial, um dos maiores produtores e compositores da história do forró moderno, o músico Sílvio Moinho (esposo de Silvânia Aquino) e toda a banda fizeram algo muito bem concebido. ”Não é o de sempre, não é exatamente o forró novo. É uma salada saborosa de todos os elementos”.

No decorrer das faixas, identificamos o estilo clássico que consagrou a voz e a carreira dos três artistas com guitarra, sons de teclado e uma sanfoninha bem discreta com a ”pegada” suficiente para se dançar agarradinho. Os ritmos atuais não foram desprezados mas com a sensibilidade dos produtores tudo soa bem autêntico pois tem vanerão, arrocha e até aquela toada mais ”sofrida” que vem sendo exaustivamente copiada do fenômeno Simone e Simária (ex-forrozeiras), se alastrou por diversas ”bandas carbono” mas tudo foi concebido no estilo do Gigantes sem exageros e de forma extremamente elegante.

Arrepiou?

Sem dúvidas esse cuidado em não parecer uma cópia nem da Calcinha Preta, muito menos de nenhum outro artista do mercado é o ponto alto do CD e faz do primeiro trabalho do Gigantes do Brasil um dos poucos que não se renderam ao assertanejamento e a ‘síndrome de Wesley Safadão” da música nordestina. É gostoso de ouvir justamente porque toca o coração e traz uma grande uniformidade sonora, coerente com seus integrantes.

Se existe uma sorte para os fãs do GB, Paulinha e Silvânia não cantam nenhum música de nível baixo e Daniel Diau, por sua conduta religiosa, também não empresta a voz para nenhuma canção que fala de cachaça, rapariga, ostentação e cabaré. O marketing do grupo tem sido digno: vencer pelo talento por meio das ferramentas das redes sociais e pelo carisma de seus artistas e divulgadores, o nome tem crescido em velocidade justa e esperamos ser surpreendidos por novidades reais a cada passo do GB. Este pode não ser o melhor CD do ano (ainda) mas é um excelente recomeço, o download para apreciar lindas canções vale realmente a pena!

 

Nota: 👍 👍 👍 👍 👍 

Pontos altos:  repertório romântico, músicas autorais, performance vocal dos três vocalistas, equilíbrio entre estilos e divulgação nas redes sociais, o cd será lançado em formato físico e vendido em lojas com distribuição ampla, vocais de silvania aquino

Pontos fracos: sentimos falta de uma música romântica extremamente marcante que ”arrepiasse”, faltou um pouco mais de solos de guitarra e sanfona em evidência, um pouco mais de simetria na divisão do repertório sobretudo para paulinha abelha que precisa ter o alcance de sua voz valorizada, ainda queríamos uma atuação ainda mais forte de daniel diau

BAIXE AGORA: 

http://www.suamusica.com.br/gigantesdobrasiloficial

PORTALFORRO.NET – Desejo de Menina lança CD sertanejo ”Buteco da Desejo”

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A Banda Desejo de Menina acaba de lançar o novo projeto ”Boteco da Desejo”, já disponível para download e que em breve chega em formato de show completo para ser assistido no YouTube. O trabalho que sofreu alguns adiamentos desde Janeiro e apresenta-se ao público com as já conhecidas ”Mil goles de amor” e ”Homem fiel”, além de várias inéditas e  regravações de clássicos do grupo Pernambucano, como Respiro você e Baby fala pra mim.

Desta vez, a Desejo foge de sua essência musical, entra na onda do momento e lança um álbum completamente sertanejo que pouco lembra o forró romântico que a consagrou e que orgulhosamente sempre lhe trouxe bons frutos. As faixas são tão bem produzidas nesse estilo que dificilmente alguém do eixo sul/sudeste vai achar que é uma banda de forró nordestino que se aventurou na onda do boteco (aqui escrito errado como ”buteco”). Nem mesmo as Coleguinhas, Simone e Simária, conhecidas agora como Rainhas da Sofrência e declaradamente sertanejas, conseguiram fazer tão bem e ir tão a fundo no fundo no ritmo como o projeto Buteco da Desejo, o objetivo foi atingido.

Não há nada para se comentar em termos do forró presente no CD porque ele simplesmente não está presente, exceto pelas vozes bonitas dos talentosos cantores Yara Tche, Alessandro Costa e Any Barbie. O romantismo presente divide espaço com letras de superação amorosa, cachaça e dor de cotovelo mas ainda é a pegada tradicional do grupo que faz falta aos ouvidos e corações apaixonados que se acostumaram com a qualidade da ”mais romântica do Brasil”. Já estamos ansiosos pelo novo CD com a sonoridade original da Desejo de Menina que ainda nem tem previsão para sair…

Baixe agora o novo trabalho: http://www.suamusica.com.br/ayrtonlatapiat/cd-buteco-da-desejo

 

PORTALFORRO.NET – Banda Magníficos lança CD “TOUR 2016”. Nós já ouvimos e analisamos o trabalho pra você!


A Banda Magníficos tem passado por mudanças complexas ao longo dos últimos 15 meses. A entrada e saída de cantores e lançamentos consecutivos tem sido o grande foco a respeito da discussão a respeito do futuro do grupo de Monteiro, que tem tentado a todo custo reagir ao desfalque da sua voz mais clássica, Walkyria Santos, no quadro da empresa e no coração do forrozeiro. O grupo que não conta mais com Gui Torres, Renato e Neto Fallaschi em seu quadro, tem como frente atual a veterana Samya Maia, uma das maiores revelações dos últimos tempos que é  Adma Andrade e a nova aposta, Fernando Frajola.

Abandonando praticamente todas as inéditas dos últimos meses (dentre elas a super bem aceita Espaços e Vazios, o single anterior Greve de Amor e o arrocha Deixe esse cara), o novo CD trás 3 inéditas e é a melhor reação da Banda Magníficos depois da saída de Walkyria Santos.

Dentre as três inéditas, a melhor e mais bonita das canções é “Você sou eu, eu sou você” um arrocha na voz de Adma. Destaque para a voz suave e o jeito natural de cantar dela, com suavidade e sem trejeitos que copiam outros artistas. Uma pena não ser em forró genuíno e não ter os mesmos arranjos de arrocha com sanfona que estamos acostumados no “padrão magníficos”. Fico mais abolerado porém ainda muito tocante

Nós já comentamos sobre a música de trabalho “Assim sou eu sem você” em outra oportunidade mas fica registrada a nossa sensação de uma música boa que poderia ter sido mais forrozeira e que entrete o ouvinte. A canção ganhará um clipe com Samya Maia em breve e pode agregar novos ares ao hit, que ainda não grudou tanto no ouvido do público mas que pode cair no gosto das pessoas e entrar no repertório de outras bandas.

O novo contratado Fernando Frajola chega ao grupo de Monteiro fazendo bonito na maioria dos clássicos do repertório e seu jeito de cantar cheio de talento ganhará mais a cara da Magníficos com o tempo. A escolha dele parece ter sido sábia e abre possibilidade para muitas novidades e trabalhos futuros. Frajola se apresenta ao forrozeiro e aos fãs com a nova “Três da madrugada”, que tem a letra bonita e muita sanfona mas com uma mudança perceptível nos arranjos do grupo para se adequar as novas tendências e, como toda mudança, acaba gerando estranhamento e deixando a canção morna a primeiro momento. A faixa introduz bem o novo cantor e merece ser tocada ao vivo para o público curtir.

Os arranjos com vanerão e sertanejo que fogem da batida tradicional que consagrou a banda são nossa maior decepção em quase todas as faixas. A Magníficos tem/teve o melhor uso de metais da história do cenário forrozeiro, numa linha melódica linda e que dificilmente foi imitada ou superada ao longo desses mais de 20 anos e isso é digno de aplausos. É compreensível que a exigência do mercado atual se reflita na pressão das agências que vendem seus shows (leia-se Luan Promoções) em se aproximar do senso comum e mais compreensível ainda ver os líderes do grupo querendo lutar contra isso mas conciliar todos os lados e interesses, porém alguma coisa nessa conta não fecha. A exuberância dos arranjos originais ou as versões adaptadas dos DVDs e shows ao vivo foi suprimida em função do avaneiramento da batida e o assertanejamento dos vocais e isso pode agradar os possíveis novos fãs porém causa estranhamento nos seguidores mais antigos ou provoca alguma ressalva nos fãs mais leais (que de tanto ouvir e amar passam por cima de detalhes importantes). O esforço em seguir com qualidade é notório, o caminho escolhido nos deixa em dúvida sobre a identidade.

Um ponto positivo a ser destacado é o repertório “das antigas” renovado, atendendo aos pedidos de fãs, com músicas que há anos não entravam em shows e CDs, pérolas do passado como Arrebenta, Vá embora, Indefeso e De bandeja voltaram ao projeto “TOUR 2016” e vão fazer bonito ao vivo . Vale chamar atenção novamente ao desempenho de Adma que tem a responsabilidade de cantar músicas muito grandes para o próprio forró e faz com maestria, a estabilidade de Samya e o jeito seguro de Frajola.

A produção musical optou por dividir a sequência de canções em pout pourri em que a execução de algumas músicas acabam ficando  rápidas demais. Não conseguimos entender exatamente o motivo do álbum ter apenas 13 faixas, que podiam serem divididas melhor, mas uma triste consequência disso é que algumas combinações entre as letras não fazem tanto sentido e tiram o brilho de algumas como por exemplo:

Você nunca me amou + Amor errado + Seu  amor não vale um real (perceba o declínio de qualidade: a beleza de  “você nunca me amou”, sucesso entre as bandas de vanerão que se une a “amor errado” gravada originalmente com participação de Wesley Safadão e a música “seu amor não vale um real”, que gravada com essa batida nova da Magníficos parece ainda mais a temática da música da Márcia Felippe “aqui oh pro meu ex”)

OU
Tentando me evitar + Hoje tem balada + Vá embora + Juro eu tentei (dois clássicos românticos como a primeira e a terceira música não combinam em nada intercaladas com “hoje tem balada” que rapidamente acaba, já o final com o retorno de Juro eu tentei salva a faixa, que se fosse dividida funcionaria melhor)
O álbum é um recomeço e nitidamente apresenta uma nova Magníficos ao público. Nova estratégia de divulgação, possível novo show, novo clipe confirmado e um DVD que precisa sair do papel. Não temos dúvida que se trata de uma linguagem diferenciada pra cativar o novo público e manter a fidelidade de quem já acompanha. A tour 2016 está só começando e o primeiro passo para entender o que ela será é ouvindo e baixando o cd!
Nota: 👍 👍 👍 😐 😐

Pontos altos:  volta de clássicos ao repertório, presença de faixas inéditas e anúncio de novidades aos fãs

Pontos fracos: número pequeno de faixas no CD, pout pourri rápidos com músicas que as vezes não funcionam juntas e arranjos que fogem da essência da Magníficos, poucas inéditas
LINK PARA DOWNLOAD: www.suamusica.com.br/magnificostour2016

PORTALFORRO.NET – COLUNA Falando em Forró: Como comemorar o aniversário de uma grande banda de forró?

 

Se na vida não sabemos quando acaba a contagem dos nossos dias futuros, é no aniversário que sabemos exatamente quantos dias do surgimento se passaram até ali. Na mitologia grega, surgiu a tradição de usar bolos de mel coberto de velas para comemorar essa data tão importante e no forró as tradições se repetem em forma de lançamentos e comemorações especiais das mais variadas maneiras.

2015 foi um ano muito importante pro nosso forró, seja pela deterioração de algumas modalidades do forró como pelo surgimento de novos nomes e a sobrevivência de grandes tradições sonoras em forma de banda. O ano passado marcou pelos 25 anos do Mastruz com Leite, a primeira grande banda a ganhar proporções e a criar a sonoridade estilizada do ritmo de Gonzagão, 20 anos da Banda Magníficos, a banda que conquistou o país ao som da marcante Me usa e que reinventou o forró romântico com seus metais e sanfona harmoniosos e, por fim, mas não menos importante, a Calcinha Preta com seus 20 anos de existência e o seu sucesso midiatico, a introdução ímpar de tons agudos e a ressignificação das versões românticas de sucesso no forró. Muito aniversário e pouquíssima festa, vamos analisar as comemorações dessas datas tão importantes pro cenário forrozeiro?

 

Mastruz com Leite

O ano passado começou com o retorno elogiado e animador do casal Ana Amélia e João Filho ao cenário forrozeiro, dessa vez saindo do Mel com Terra e passando a integrar a família Mastruz com Leite novamente. O público foi a loucura e os fãs se animaram com as boas novas por vários meses na internet.

A banda fez esforço, manteve a frente com 6 cantores e, em meio a tantas especulações, as artes do grupo foram tomadas pela marca de 25 anos, um DVD foi anunciado, ensaiado e para a tristeza de muitos não saiu disso. Foram divulgados 3 singles: Adeus (um forró pé de serra lindo mas pouco comercial na voz de Ana Amélia e Neto Leite), Dança do dia a dia (segunda música do ano na voz de Neto Leite com uma letra linda que reafirma o compromisso do Mastruz com a qualidade e com o próprio forró) e Posto ipiranga (música que dividiu opiniões por causa da letra e traz novamente a dupla Ana e Neto nos vocais).

Os Mastruzeiros elogiaram bastante os primeiros clássicos de volta ao repertório na voz do casal mas parou por aí, o repertório quase imutável ganhou algumas novidades em 2016 e ”novidades estão por vir”, a banda mantém todos os cantores (com exceção de Neto Leite) com uma quantidade muito pequena de músicas e não aproveita a rica discografia da banda como devia segundo uma parcela significante dos fãs. O DVD anunciado foi cancelado em meio a rumores da volta de Kátia Cilene ao grupo somzoom, que acabou levando a musa aos vocais da Cavalo de Pau que acabou ganhando um DVD no lugar da banda irmã mais antiga, Kátia saiu da empresa e assim permanece o Mastruz sem nenhuma data de gravação. Talvez um repertório renovado com outros hinos, mais espaço para todos os vocalistas no show (o público também quer ouvir mais João Filho e Rainer; Ingred e Eryka gravaram músicas lindas no vol 46 que entraram e já saíram dos shows ), um DVD com a identidade do Mastruz com Leite (sinônimo de qualidade e sinônimo do próprio forró) e talvez ajustes sejam um bom caminho para a banda mãe do forró. Uma das alegrias é a volta de Faisca Bass ao grupo. A maior novidade do ano até agora foi o clipe da inédita Quer saber, com Ana Amélia

 

Banda Magníficos

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A saída de Walkyria Santos pegou a todos de surpresa em 2014. Rapidimadente o grupo de Monteiro reagiu, lançou logo o cd comemorativo de 20 anos totalmente inédito com a frente incluindo Samya Maia, Neto Falaschi (voz da primeira e imediatamente descartada música de trabalho), Adma Andrade, Gui Torres e Renato. Não demorou muito e os dois últimos foram desligados do grupo fazendo da Magníficos um trio. O primeiro single chamado “Do jeito que você merece “, mesmo não sendo na voz dos cantores que saíram, foi abandonado nas rádios e não foi trabalhado em shows, um descarte inexplicável.

A música Espaços e Vazios foi o grande destaque do CD, ganhou fama na internet e agradou vários forrozeiros mas não foi suficiente pra impulsionar um trabalho de tanta qualidade. Meses depois foi lançada uma coletânea com versões dos grandes sucessos da banda, versões do último cd inédito e divulgação em sites de download. Os fãs clamaram mudanças de repertório e uma comemoração digna com DVD ou um show especial mas infelizmente não foram atendidos porém a surpresa veio recentemente: o novo trabalho TOP 25  trouxe um álbum ao vivo (com clássicos) e inéditas bonitas, dentre elas uma  canção dedicada ao verão com ritmo agitado e arranjos bem feitos, Greve de Amor trouxe Samya Maia elétrica e cantando temas pop novamente, a música atual de trabalho é a romântica ”Assim sou eu sem você” com Samya e que virá em um ”próximo lançamento” mas não sabemos se a reação das agendas condiz com os esforço em atualizações, tomara que sim! Talvez um DVD com repertório renovado, volta do balé e novo show adaptado às demandas do forró atual, sem fugir da qualidade da Magníficos, possa ser um bom caminho. Os 21 anos já batem na porta…

 

Calcinha Preta

Calcinha_Preta_-_Logo

Dona do fã clube mais caloroso do forró, a sergipana criada por Gilton Andrade tem muita história bonita pra contar. O grupo começou o ano passado lançando promocionais ao vivo que surpreenderam pelo repertório muito atual e repleto de vanerões, a segunda versão do volume 28 trazia Silvania Aquino, Paulinha Abelha, Marlus Viana e Adriano Sill que destacou-se pelo tom sertanejo na voz mas que ao longo dos meses foi perdendo a força perante o público e acabou sendo desligado (hoje muito bem na Karisma). Teve participação no DVD da extinta Banda Calypso, teve DVD promocional em Salvador com um repertório lindo e a promessa de DVD oficial no segundo semestre. Não teve DVD oficial, não teve volta de Daniel Diau (a eterna novela) mesmo depois de música inédita vazada mas teve volta de Bell Oliver, teve Balada Prime (vanerão que ganhou o país por causa do sertanejo e que deu projeção a voz de Marlus), teve música na novela Regra do Jogo, apresentação em programa nacional mas não teve comemoração dos 20 anos. Os fãs até se mobilizaram e fizeram artes próprias pra não passar em branco mas a data ficou meio de escanteio, o DVD foi esquecido por hora e a terceira versão do vol 28 ganhou vida com muito arrocha, vanerão, divisão de repertório desigual e opiniões divididas. Saiu Paulinha, Silvânia, juntaram-se com Diau e fundaram a já aclamada GB. Ana Gouveia, Bell e Michele são a frente atual encabeçada pelo ainda controverso bordão ”A paixão voltou”. Só temos a canção ”Alô amor” para nos contentar neste momento com a tal paixão. Talvez um fim definitivo das mudanças de cantores, unidade nos lançamentos e repertório visando seguir menos as tendências atuais valorizando as boas vozes que possuem funcionem melhor. Um DVD seria ótimo para dar a cara oficial a fase atual da Calcinha Preta, ainda confusa, em que sonoridade se apega ao novo cenário forrozeiro. Nosso sonho é menos arrocha, menos vanerão e mais forró romântico e duetos de arrepiar entre as vozes que lá estão (desse jeito até o vanerão fica prime de verdade)

   

Por fim, o forró está realmente de parabéns por ter projetos tão duradouros e de qualidade que sobrevive aos anos mas o tempo revela várias fraquezas e necessidade de mudança. As bandas citadas acertaram e pecaram em vários pontos, as comemorações de fato poderiam ser melhores e muito pode ser feito nos próximos 12 meses para melhorar um pouco os corações decepcionados com suas bandas forrozeiros. Aqui fica nosso sincero “Parabéns e Feliz Aniversário” a banda Mãe do Forró, a Preferida do Brasil e a Mais gostosa do planeta  por seus aniversários quase que de 26 e 21 anos. Estaremos sempre de olho nas novidades, fazendo críticas construtivas e trazendo aos nossos leitores todas as novidades, que venham felicidades até o próximo aniversário!

PORTALFORRO.NET – Coluna Falando em Forró: as reclamações dos fãs da Limão com Mel e os problemas do forró atual

Lendo sobre a indignação dos fãs da Limão com Mel nas redes sociais resolvi dar uma opinião sincera sobre a banda e, como costumo fazer, expandir para o problemas do mercado forrozeiro. Minha reflexão começou a partir de uma postagem que vi por aí e se desdobra neste post aqui:
São tantos problemas misturados que a gente não sabe por onde começar mas vamos dividir a crítica entre a Limão com Mel nos primeiros parágrafos e sobre o que vem acontecendo com TODAS AS BANDAS DAS ANTIGAS no final do texto.

O problema da Limão com Mel não é a qualidade vocal de Diego, César e Michele, talento não falta na banda de Salgueiro. Michele é uma bela revelação, super talentosa e não lhe falta identidade e originalidade, inclusive ela não copia nenhuma das veteranas da LCM e soma na parte musical. Diego Rafael é um super cantor, boa presença de palco e atencioso com os fãs e acho que ele era muito melhor na Gatinha Manhosa, pois apesar do pouco espaço diante de Edson Lima ele podia ter a própria identidade e não ficar sempre com as músicas que eram do Batista (uma responsabilidade imensa) e na minha opinião é o que a diretoria da banda quer “que ele soe como o BL” e isso parece injusto com o potencial do cara. César Salles é um excelente cantor, carismático e amigos dos fãs, seu nome no mercado é diretamente associado à Limão e isso é fruto de muito trabalho, é muito notório o quanto ele é escanteado injustamente pela administração da banda que ignora todos os pedidos de espaço, músicas inéditas em destaque e isso reflete na divulgação quase nula da imagem dele nas redes sociais e numa polarização dos fãs, que não são bobos. Não é possível que tudo isso que se fala seja mentira ou delírio coletivo de nós forrozeiros que acompanhamos o grupo!

A LCM é uma banda que tem seus defeitos mas é extremamente bonita em repertório e no palco, uma das que mais me orgulham. O balé é um dos últimos e o mais original do forró com profissionais esforçados em levar a essência da dança ao romantismo das músicas. Os lançamentos são constantes e dão de 10 a zero na divulgação quado comparamos a outras parceiras das antigas. Quantos CDs saíram do Mastruz, Magníficos, Calcinha Preta, Moleca, Noda..etc? A LCM tem esse cuidado de divulgar inéditas, clipes, promocional, oficial com mais frequência!

O resultado: o forró romântico tá difícil de vender diante da crise e do segmento ostentação e como não poderia deixar de ser a máfia em todos os tipos de forró é enorme. Os shows das outras bandas e da LCM estão sendo cada vez mais em cantos menores, valores mais baratos e rendendo pouco e diante disso fica difícil manter toda a mídia e produção em dia. O ritmo não é feito pra críticos da internet ou para esse grupo que são a minoria, empresário tem amor mas tem luta pelo dinheiro e sobrevivência da empresa. É o capitalismo em sua essência.

As saídas? A mudança do modelo de negócios é urgente e é nisso que todos os empresários tem se perdido porque o mercado mudou. Se por um lado a vaidade do que eles levantaram no passado impede de assumirem que precisam se renovar, por outro, o cansaço e o desespero para ao menos manter o nível do produto levam a saídas, na minha opinião, até vexatórias como o apelo para a música sertaneja, a variação do ritmo forrozeiro para uma estilização feia do sertanejo que nem convence o fã do outro ritmo e nem faz o fã do forró romântico/estilizado de verdade acreditar que aquilo é uma inovação honesta e natural. Esses CDs de Botecos, Bares e Momentos sertanejos não são ingênuos e sem motivos, é a agonia de ver as bandas sumindo do mercado e não se saber exatamente o que vai dar certo. As Coleguinhas conseguiram mas será que a Desejo, a Noda e a Limão terão o mesmo resultado? É triste e desesperador ver as coisas por essa perspectiva mas o nosso carinho pelas histórias eternas permanece e, infelizmente, como ninguém que vibra de verdade por essas empresas (sejam a empresa de Ailton, Jotinha, Gilton, Moisés ou Emanuel) é ouvido de verdade, só nos resta observar e torcer pelos nossos queridos artistas que muitas vezes são apenas personagens de uma história que eles não podem escrever como talvez acreditem.

A guerra ou a lamentação não levam a nada. A opinião sincera, sem agressividade e visando o bem mas sem passar a mão pela cabeça são a saída que conforta o coração porque se de nada adiantar, pelo menos temos ainda nossa consciência limpa de falar com coerência e querer o bem de uma banda ou um artista. Vamos ver esse momento do forró com sabedoria e sem fazer média, sempre digo e repito que o fã que apóia os passos errados de um artista são piores que o inimigo que de forma cruel os levam ao crescimento e a um caminho talvez melhor.

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