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Coluna do Dumar: O bom exemplo “sertanejo’. O forró segue se quiser!

Ontem, o Fantástico, programa jornalístico da Globo, começou a exibir uma série de reportagens sobre o sertanejo e seu sucesso alicerçado em suas raízes e “soerguido” nas novas gerações, desde Chitãozinho e Xororó, passando por Jorge e Mateus, até Gustavo Lima e Luan Santana (alguns dos mais bem sucedidos). Mas o que isso tem a ver com forró? O sertanejo é o ritmo musical que mais disputa mercado com o forró no Brasil. E é extremamente pertinente, nos perguntar, o porquê do forró não está ali, sendo palco de uma reportagem e algumas respostas são bem evidentes, mas que o próprio gênero faz questão de não enxergar.

De cara, a união dos artistas sertanejos é ostentada, enquanto o forró assiste, “desunido”, fragmentado em alguns polos regionais, de domínio de empresas que ao invés de unirem-se pra elevar o ritmo que representam, ao sucesso, disputam mercado da forma mais capitalista possível, fechando as portas de regiões dominantes, pra bandas de empresas concorrentes, o sertanejo trabalha entrelaçado, uns aos outros, fazendo parcerias, revelando novos talentos, contribuindo de um modo geral, para que esse “solo fértil”, continue dando frutos.

Inúmeras canções gravadas em forró, são regravadas no sertanejo e de imediato “estouram”, pois além de serem unidos, o sertanejo tem dois amigos fiéis. A mídia e o público, que andam de braços dados pra lucrar e consumir, respectivamente, as canções interpretadas por duplas ou solo, que não mudam os seus vocais. Enquanto as bandas, salve raríssimas exceções, a cada ano tem frentes vocais distintas. As exceções, Aviões do Forró e Wesley Safadão (que segue solo a algum tempo), são de longe, nossos melhores representantes nacionais, mesmo que nem sempre o que tocam, não são considerados coerentes com o que é forró.

É preciso que o forró seja visto, não só como um produto, indústria geradora de empregos ou uma fonte obtenção de lucro dos empresários que o regem. É preciso que a identidade do gênero seja respeitada. É preciso que as fontes compositoras sejam respeitadas e dignificadas como merecem. É preciso que unam-se, que apoiem-se em mercados onde seus concorrentes não entrem. O Nordeste não é o planeta do forró, muito menos o universo, mas se continuar do jeito que está, poucos irão chegar a quebrar barreiras, ultrapassar fronteiras geográficas e a maioria, apenas sobreviverá com o pouco que oferecem e recebe. Isso parece ser suficiente pra muitos. É preciso que o forró vista-se de humildade e paz, pra ser grande!

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Coluna do Dumar: Orgulho paraibano, orgulho do forró!

20140707-115557-42957585.jpgEntre 50 bandas do reality show da rede Globo, o SuperStar, Luan e Forró Estilizado ficou com o 3° lugar do programa. Mais que merecido.

Confesso que esperava um segundo lugar. Tudo que tenho visto e ouvido do Luan me fez criar expectativas, ao invés de vacas. Ele supriu minhas expectativas. Não foi mais além por ter duas outras concorrentes de peso.

Pelo o que as bandas apresentaram na final, Luan merecia o segundo lugar. Pelo apresentado no decorrer do programa, o terceiro lugar foi mais que justo. As bandas Jamz e Malta mostraram ao longo do programa, que estão prontas pra o mercado. Músicas autorais de qualidade foram tocadas e já estão no “playlist” de muita gente. Inclusive no meu, rsrsrs.

Apesar de Luan não ter apresentado muito do seu trabalho autoral, ele mostrou ao Brasil que veio pra ficar. As expressões faciais dele, exalando felicidade, mesmo na “derrota”, expõe o quão humilde ele é. É um artista de berço. Tem um exemplo paterno que o ajudou a lapidar todo esse talento.

É preciso que Luan lembre que as músicas que interpretou na maioria do programa, são hinos do forró, de muita qualidade em letras e melodia. Tive oportunidade de ir a um de seus quarenta shows realizados no São João e percebi que ele faz um show pra todos os públicos. É um artista no mínimo, inteligente.

Eu, como paraibano original que sou, torço pra que Luan siga uma trilha no forró com muita qualidade, pois não quero ver esse talento de “minha terra”, se perder no meio do caminho, promovendo música de gosto duvidoso. Nós paraibanos, gostamos de ostentar nossas raízes, nossos costumes, nossas qualidades. Assim como Lucy Alves, finalista do The Voice, Luan e Forró Estilizado é mais um orgulho paraibano revelado para o país. É mais um orgulho para o forró, que anda tão carente de figuras características, com musicalidade na alma e na sanfona ostentada, pra forrozeiro nenhum “botar” defeito.

Luan e Forró Estilizado, orgulho paraibano, orgulho do forró!

COLUNA do Dumar: O Furacão “Ka-tyne”

De mansinho. É assim que Elayne Tyne está me conquistando com seu vocal bem particular, de um timbre bem marcante e uma afinação pouco vista igual no gênero. Furacão do Forró se reinventa. A TS Eventos se mostra corajosa e aposta nessa eximia cantora pra substituir nada mais, nada menos que Mara Pavanelly que decidiu seguir carreira solo, após cinco anos a frente do Furacão, que já teve em seus palcos outra grande cantora, Márcia Fellipe, essa última, deu vida ao projeto. Mas não estamos aqui pra falar dessas duas últimas. Ficaram no passado do Furacão. Fazem parte da história. História essa, que agora tem novas páginas, ou melhor, um novo livro, daqueles bons, que gostamos de deixar bem perto e cuidar bem, pra que se preserve por muito tempo. Lembro-me de ter ficado impressionado com o trabalho de Elayne Tyne, quando ela fazia frente vocal da extinta banda paraibana, Flor da Pele. Hoje, após passar por várias bandas, Elayne Tyne assume uma tarefa nada fácil, talvez, a mais difícil de sua carreira. Apesar de não ser a primeira vez que ela sucede Mara em uma banda, vejo que dessa vez a responsabilidade é maior. No Furacão, a estrela maior é o vocal feminino, diferente da Garota Safada. Tive até receio dessa sucessão, por “n” motivos, que não carecem ser enfocados. Apesar de seu talento incontestável, Tyne está me surpreendendo positivamente no que tenho ouvido dela no Furacão. O domínio da dinâmica do palco que ela tem, me chama a atenção. Ela não apela pra bordões ou frases de elevação do auto estima humana pra conquistar o seu espaço. Ela veio pra cantar. Mas não sabe ela, que está indo além. Está encantando. Até a sanfona parece realçada com a Tyne. Só me resta desejar a ela, um ótimo trabalho no Furacão do Forró. Que a banda saiba extrair dela o seu melhor, com músicas boas, que pegue no pé e no coração. Torço também pra que dure essa parceria. Esse troca troca de cantores e bandas, não é positivo pra nenhuma das partes, muito menos pra quem ouve. Vou acompanhar os próximos passos do Furacão do Forrô. Tá bom de se ouvir!

COLUNA do Dumar: Está tudo tão confuso no forró…

A mais de duas décadas, o forró enfrentava uma transição no gênero que deixava de ser só “pé de serra” (zabumba, triângulo e sanfona), da escola Luiz Gonzaga e ganhava novos arranjos e configurações mais eletrônicas com as bandas da Soozoom. Foi uma verdadeira revolução no gênero, levando o forró a se transformar em uma verdadeira indústria, gerando emprego e renda para muitos músicos nordestinos em vários tipos de instrumentos diferentes.

No século XXI, o gênero volta a entrar em transição e outras bandas surgem no cenário (não citarei nomes para não excluir nenhuma), evidenciando um novo estilo de forró, chamado até então de “vaneirão”, contratempos na bateria se tornam mais marcantes e delineadores de melodias e ritmo, porém, ainda próximos ao conceito base do forró, que ainda é, dançar à dois.

A segunda década do século XXI é palco de outro processo de transformação no gênero. Surge o forró ostensivo, marcado por ter uma batida bem “swingada”, com bateria bem evidente, teclado sendo prioridade, ao invés da tradicional sanfona, pra ser base instrumental das músicas, que se aproxima mais da “swingueira” baiana, do que do próprio forró, diga-se de passagem, que parece estar se adaptando ao tipo de público que está à consumir o forró atual, sem mencionar as músicas, pobres de letras, em sua maioria.

Esse tipo de música não é só vista no forró. Outros gêneros como o funk e sertanejo, por exemplo, foi contemplado com esse novo estilo de fazer música, mas como o nosso assunto é forró, nos voltamos para ele.

As bandas de forró ostensivo parecem retratarem um novo modo de vida social, de um Nordeste que passa por um processo de transformação em suas classes sociais, que estão subindo degraus, face ao aumento de seu poder aquisitivo, que parecem encontrarem na música dessas bandas, uma maneira de manifestar suas conquistas, através de músicas que falem de carros, bebidas, bens de consumo em geral, além da retratação de uma figura feminina que se deixa atrair por esse gênero de vida.

Daí eu pergunto, o forró está evoluindo? Essas músicas e formas de “tocar forró” vistas hoje são coerentes com o gênero que se dizem representar? Futuramente teremos saudades de algumas dessas músicas como temos hoje, de hinos do Luiz Gonzaga, Mastruz com Leite, Magníficos, entre outras milhares de canções que nos marcaram por remetermo-nos a um tempo, uma pessoa ou uma relacionamento? Se essa mutação do forró não for positiva para o gênero, de quem é a culpa, quem consome, quem produz ou os dois?

É fato que existe uma inércia por parte de quem produz, pois na grande parcela dos mesmos, o mais importante é a obtenção de lucro. Fato nada absurdo, se entendermos o significado do nosso sistema econômico, o capitalismo. Por parte dos consumidores, encontra-se deslumbre e satisfação por poder cantar o carro novo comprado ou a nova mulher “adquirida”, porém, quando sofre pela perda da mesma, bebe o seu whisky caro, ouvindo uma bela canção antiga, que fale de um amor acabado de forma prematura.

Quero um forró hoje, que eu sinta saudades amanhã. Curiosamente, não estou sentindo saudades do que foi produzido nos últimos três anos (rsrsrsrs). O forró nasceu pra ser dançado à dois. Amor próprio é bacana sim, mas pra ser base pra saber amar o próximo. “Antes só do que mal acompanhado”, mas antes bem acompanhado do que só, sem ninguém pra dançar um forró, à dois.

COLUNA do Dumar: Ponto para Tony Guerra. Ponto para o forró de verdade!

No mês passado (Maio/2014) o cantor Tony Guerra da banda de forró cearense, Forró Sacode, virou assunto no “meio forrozeiro” por ter participado de uma “mesa redonda” intitulada de “Gosto se discute SIM”, promovida por alunos do curso de Jornalismo da Unifor (Universidade de Fortaleza), que tinham como objetivo, debater sobre a vulgarização da figura feminina na sociedade, muito disseminada na música, por que não dizer nacional?! O evento contou também com a presença da cantora Taty Girl, ex-Solteirões do Forró, que agora inicia uma nova jornada em sua carreira, só que dessa vez, solo.

Na ocasião, Tony Guerra, ao que me parece, foi alvejado de críticas ao seu trabalho, por estar dando prioridades a músicas que expõem a figura feminina de uma forma promíscua, além de músicas que ostentam padrões de vida consumista (bebidas, festas, carros…)

“Infelizmente quem escolhe o que é sucesso é o público. Sou fã de forró tradicional, mas, infelizmente não existe espaço para essas musicas”, disse, Tony Guerra, tentando justificar o atual momento de seu trabalho. Ele ainda prometeu mudar seu jeito de fazer forró, revelando que está preparando um novo CD, voltado ao forró de qualidade, mas que precisa do apoio daqueles que curtem esse tipo de trabalho.

Quem conhece a trajetória de Tony Guerra no forró, logo faz referência a canções com lindas letras e melodias, no mínimo interessantes, como “Obsessão” e “Escute o meu coração”, por exemplo. Músicas que foram responsáveis por alavancar sua carreira, levando-o a um sucesso notável no Norte e Nordeste do Brasil. O DVD do Forró Sacode ao vivo em São Luiz-MA é prova contundente desse sucesso. Um trabalho com muitas canções de qualidade e que está no meu “top five” dos DVDS de bandas de forró.

Se voltarmos uns anos, iremos encontrar na discografia da banda Forró Sacode, a música “Me libera” (um dos maiores sucessos da banda), que exalta o amor próprio da mulher, onde no trecho “Se pensa que eu sou sua menina, não sou, um brinquedo pra você”, deixa bem claro isso (não sou pra usar e jogar fora). Vendo a letra dessa música, chego a não acreditar no rumo que o forró tomou, especificamente, a carreira de Tony Guerra, que está longe de ser um grande cantor, mas que quando quer fazer forró de qualidade, faz como poucos.

Não posso aqui, deixar de exaltar a coragem de Tony, em ir a um debate acadêmico, no qual, iria ser “fuzilado” de críticas pelo seu trabalho. Não posso deixar de dizer também que acho uma atitude extremamente corajosa de sua parte, se vir a acontecer é claro, ir na contra mão do “modismo forrozeiro”, que é produzir esse forró sem riqueza sentimental em suas letras e lançar esse novo trabalho, voltado pra o forró de qualidade. To até criando expectativas por esse novo/velho Forró Sacode.

O forró parece estar em mutação. Essa atitude do Tony Guerra é um indício. Espero que seja uma mudança pra melhor e que esse trabalho novo dele venha com muita qualidade e floresça, para servir de um bom exemplo para as outras bandas e artistas, que insistem em “destruír” o “império” que Luiz Gonzaga, Dominguinhos e, por que não dizer, as bandas que hoje fazem o “Forró das Antigas”, tiveram tanto trabalho pra construir.

por Nielson Marinho

 

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