PORTALFORRO.NET – Coluna FALANDO EM FORRÓ: O que achamos do primeiro trabalho oficial do Gigantes do Brasil?

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O forró é feito de caminhos e encontros que deixam suas marcas no público e que, às vezes, voltam a se encontrar. Após os incontáveis pedidos e preces a São Luiz Gonzaga dos românticos, as vidas de Paulinha Abelha, Silvânia Aquino e o ”messias” dos agudos potentes, Daniel Diau, voltaram a se encontrar nos estúdios e palcos. O resultado é o primeiro CD oficial da Banda Gigantes do Brasil!

É impossível não reconhecer o valor da banda Calcinha Preta para a história do forró moderno, amplificando um estilo de forró que não criaram mas que souberam levar à mídia como pouquíssimos representantes do ritmo e nesse contexto podemos tentar compreender melhor a euforia do público e a formação do Gigantes do Brasil (GB).

As negociações acabaram tomando o mesmo ritmo das exaustivas campanhas virtuais de ”Volta Diau” e depois de uma novela de desfecho surpreendente, empresários misteriosos trouxeram o cantor à presença de Silvania, aclamada como uma das melhores vozes da música nordestina, e de Paulinha Abelha, a cantora de forró com um dos maiores e mais apaixonados fã clubes do país.  Foi preciso muita conversa entre empresários e artistas para que o rumo fosse acertado. O projeto uniu egos, insatisfações, carismas e talentos em uma nova história, que vem da Calcinha Preta mas tem uma proposta inédita e, como esperado, vem causando rebuliço. O que será que o forrozeiro pode esperar ao ouvir o primeiro trabalho oficial e inédito do trio?

Coragem. O repertório pode ser definido como um dos mais inteligentes dos últimos anos e facilmente figura entre os melhores álbuns de 2016 por razões complexas mas que enumeramos abaixo:

 

1 – A autenticidade: em não mudar de estilo radicalmente numa tentativa desesperada de conquistar o público. A banda chegou prometendo apenas qualidade e satisfação dos próprios membros e isso talvez tenha sido mesmo uma escolha sábia. O grupo contou com uma intensa divulgação nas redes sociais com mini-vídeos, que foram replicados aos milhares num fenômeno de mídia espontânea muito interessante.

Enquanto todo mundo esperava uma releitura de clássicos da Calcinha Preta, que estão presentes ao longo do show, ou repetição da fórmula que nos apresentou Paula, Silvania e Diau, o GB buscou a direção oposta mas sem perder a essência do que os membros gostam de fazer: tocar forró e estar nos holofotes e para isso tem um preço. Na prática, é forró romântico autêntico o ritmo atual com pitadas modernas aqui e acolá mas do jeitinho deles, sem prender o público ao clichê musical, sem decepcionar o público nem perder a si mesmo.

2 – Romantismo em foco: independente do enfoque de cada canção é muito claro que o ouvinte vai se deparar em praticamente todas as faixas com temas que falam ao coração, com intervalos apenas para uma canção que exalta o show da banda e outra que fala de selinhos. A primeira música de trabalho Volta dá ao público o que ele mais queria: ver Diau na ativa, Silvania em um dueto com o cantor e um ritmo gostoso que, embora não tenha arrepiado tanto quanto alguns queriam, foi uma ótima estréia com bons precedentes e gerando entusiasmo na mídia e no público. Não dá pra negar que a banda reacendeu aquele desejo de saber como será o próximo lançamento e as novidades do trio (coisa que muitos não sentiam há um bom tempo, em se tratando de forró romântico).

3 – Produção musical equilibrada: a realidade é triste e infelizmente a sonoridade do forró mais antigo anda cada dia mais em desuso, vendendo pouquíssimos shows, e foi substituída pela metaleira, encabeçada por bandas como Aviões e Wesley Safadão. Infelizmente a minoria dos novos forrozeiros da nova geração está acostumada a ouvir falar de amor com sanfona, guitarra e sax marcantes. O nível baixíssimo das letras atuais vem acompanhado por metais afobados e desorganizados e verdadeiras lapadas nas baterias, praticamente sem os instrumentos que ajudam entoar as melodias.

A banda foi inteligente e escalou Marquinhos Maraial, um dos maiores produtores e compositores da história do forró moderno, o músico Sílvio Moinho (esposo de Silvânia Aquino) e toda a banda fizeram algo muito bem concebido. ”Não é o de sempre, não é exatamente o forró novo. É uma salada saborosa de todos os elementos”.

No decorrer das faixas, identificamos o estilo clássico que consagrou a voz e a carreira dos três artistas com guitarra, sons de teclado e uma sanfoninha bem discreta com a ”pegada” suficiente para se dançar agarradinho. Os ritmos atuais não foram desprezados mas com a sensibilidade dos produtores tudo soa bem autêntico pois tem vanerão, arrocha e até aquela toada mais ”sofrida” que vem sendo exaustivamente copiada do fenômeno Simone e Simária (ex-forrozeiras), se alastrou por diversas ”bandas carbono” mas tudo foi concebido no estilo do Gigantes sem exageros e de forma extremamente elegante.

Arrepiou?

Sem dúvidas esse cuidado em não parecer uma cópia nem da Calcinha Preta, muito menos de nenhum outro artista do mercado é o ponto alto do CD e faz do primeiro trabalho do Gigantes do Brasil um dos poucos que não se renderam ao assertanejamento e a ‘síndrome de Wesley Safadão” da música nordestina. É gostoso de ouvir justamente porque toca o coração e traz uma grande uniformidade sonora, coerente com seus integrantes.

Se existe uma sorte para os fãs do GB, Paulinha e Silvânia não cantam nenhum música de nível baixo e Daniel Diau, por sua conduta religiosa, também não empresta a voz para nenhuma canção que fala de cachaça, rapariga, ostentação e cabaré. O marketing do grupo tem sido digno: vencer pelo talento por meio das ferramentas das redes sociais e pelo carisma de seus artistas e divulgadores, o nome tem crescido em velocidade justa e esperamos ser surpreendidos por novidades reais a cada passo do GB. Este pode não ser o melhor CD do ano (ainda) mas é um excelente recomeço, o download para apreciar lindas canções vale realmente a pena!

 

Nota: 👍 👍 👍 👍 👍 

Pontos altos:  repertório romântico, músicas autorais, performance vocal dos três vocalistas, equilíbrio entre estilos e divulgação nas redes sociais, o cd será lançado em formato físico e vendido em lojas com distribuição ampla, vocais de silvania aquino

Pontos fracos: sentimos falta de uma música romântica extremamente marcante que ”arrepiasse”, faltou um pouco mais de solos de guitarra e sanfona em evidência, um pouco mais de simetria na divisão do repertório sobretudo para paulinha abelha que precisa ter o alcance de sua voz valorizada, ainda queríamos uma atuação ainda mais forte de daniel diau

BAIXE AGORA: 

http://www.suamusica.com.br/gigantesdobrasiloficial

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Publicado em 28 de abril de 2016, em coluna falando em forró, gigantes do brasil. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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