PORTALFORRO.NET – Coluna FALANDO EM FORRÓ: O Aviões é do forró?

O texto a seguir é do Waguim Elite CDs, conhecido pelos alôs de Xand Avião e pelas vinhetas nas gravações ao vivo da banda Aviões do Forró. Wagner, que antes era apenas gravador, agora também responde pela produção musical do grupo e resolveu quebrar o silêncio a respeito das gravações com fortes influências do sertanejo que a banda vem fazendo ultimamente, veja o que o gravador diz em sua página oficial:

“Para quem critica que o Aviões está deixando de ser forró, já pararam para analisar o contrário? O sertanejo de hoje não é muito mais forró do que há 10 anos atrás? Isso não quer dizer que seja ruim, são os ritmos e culturas que estão cada vez mais parecidos, quebrando barreiras e preconceitos. AVIÕES é AVIÕES, seja tocando forró, funk, arrocha, sertanejo ou seja lá o que for, AVIÕES vai além disso, AVIÕES é uma banda que consegue interpretar a música do jeito que ela pede, o que importa é ser uma BOA música com letra e melodia interpretada da maneira correta por  duas vozes consagradas e uma puta banda respeitada por todos do Brasil e do mundo. Talvez nem todos saibam que no mais recente EP lançado pelo Rei Roberto Carlos, ele gravou um funk, e nem por isso deixou de ser REI para ser funkeiro.

Resumindo a história: “Quem se intitula, se limita!” “

Em defesa dos amantes do forró e do enorme fã clube do Aviões, é justo deixar claro que dá um sentimento de vergonha ao ler essas palavras que soam deselegantes e impositivas de uma forma pouco humilde e inteligente ao responder às críticas recebidas pelo grupo, que conquistou um público enorme por suas características que fizeram do Aviões do Forró uma banda diferenciada e que marcou o movimento forrozeiro da última década pra cá, goste você ou não do som deles. Nenhuma fórmula é eterna e ultimamente o país tem ganhado a empatia dos cantores solo como Wesley Safadão e seus milhares de genéricos (muitos sem talento), portanto, a A3 no seu papel de empresa inteligente resolveu ”inovar”.

O resumo do texto acima passa a idéia de “somos o que quisermos, estou lutando pelo nome e pela marca Aviões e não me importo com o forró que vocês se acostumaram”. É muito complicado colocar a sonoridade do Aviões ao lado de uma lenda viva da música brasileira, Roberto Carlos, que é nacionalmente reconhecido por seu estilo romântico e que goza de um cuidado extremo com a mídia e  na produção musical. O ”Rei Roberto” já gravou funk, pagode e até forró, inclusive conhece e elogia a voz de Solange Almeida, cantora do AF, e se mantém relevante ao público sobretudo pelo rigor em contar sua história numa linha sonora firme e por meio de um respeito extremo aos fãs. Roberto oferece material oficial inédito (ou quase) anualmente, tem um maestro próprio há décadas e presenteia os fãs com os pedidos no repertório. A forma que o rei lida com o publico realmente cativou gente de nome como Solange Almeida, que se emocionou no show de Roberto em Teresina, após o carinho e apreço ao seu talento nas palavras do cantor em cima do palco. Uma bela homenagem a talentosa Sol!

Mas e o forró?

O forró anda na mídia como nunca mesmo que travestido de moda sertaneja. O problema do excesso de sertanejo no forró não é exclusivo do Aviões mas, neste caso específico, chateia fãs e todos que vêem um grande grupo que leva o nome do nosso estilo para todo o país.  A impressão passada é de nenhum erro mas a falha real é que a combinação de elementos ainda não se ajustou totalmente ao que a maioria dos ouvidos quer ouvir dessa ”nova pegada” e justamente esses lamentos deveriam ser tratado com mais respeito e menos autonomia musical por alguns membros da equipe, já que os pilares do sucesso de qualquer grupo ainda é o público (e sempre será). A produção musical de muitas canções assertanejadas da banda ”Aviões”, da música inédita ”Não me esqueceu né” a várias outras do atípico DVD Pool Party, que praticamente não tem nada de forró, fica por conta de Dudu Borges, um dos maiores nomes no mercado sertanejo. Já as outras canções do ”dia-a-dia” estilo paredão e um pouco da pesquisa musical do que é atual é feita também pelo Wagner, antes apenas gravador e responsável pelo som, agora com mais responsabilidades e responsável pela sonoridade. É sabido que anteriormente a pesquisa musical era de grande responsabilidade do proprietário Carlos Aristides, o criador dessa levada e não sei até onde isso continua atualmente mas que certamente com grandes sucessos também vem grandes responsabilidades!
Diante do incômodo musical e a resposta negativa de parte dos forrozeiros, o problema é sim da banda e merece tato ao se justificar tudo isso porque como admiradores do ritmo e da fonte geradora de lucro deles, enxergamos que o “Aviões” é  a banda de renome do Nordeste que mais tenta ser universal mas qual o limite da universalidade?  Esforços merecem ser reconhecidos e erros superados, há quem torça contra, mas tem uma grande seleção de fãs que querem ver o grupo alçando um vôo nacional nesse mercado confuso, que predomina o sertanejo, porém sem abandonar sua origem e história”DO FORRÓ” também nos lançamentos. O talento dos músicos e dos vocais marcantes de Sol Almeida e Xand merece uma reivenção inteligente para que a banda não seja confundida com outros ritmos e permaneça fazendo seu nome no forró, a verdadeira inovação é irmã da reivenção e soa melhor que se adaptar simplesmente às tendências.

Talvez os comentários do gravador não correspondam totalmente a opinião e conduta artistica da empresa em que trabalha e a opinião dos proprietários somadas às de Alexandre e Solange pudessem retratar melhor o caminho que eles pretendem seguir para o futuro, que certamente não é o mesmo de 5 ou 10 anos atrás e que não precisa ser idêntico ao caminho adotado por outros.

Eu desejo equilíbrio, humildade e consistência ao se falar do forró e de musicalidade para crítica e fãs, pois sensibilidade e respeito podem trazer muito mais méritos diante das mudanças atuais. O público se declara bastante aviãozeiro e até quando será? Puxa esse fole, sanfoneiro, e faz essa sanfona chorar!

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Publicado em 25 de abril de 2016, em aviões do forró. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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