PORTALFORRO.NET – Coluna Falando em Forró: as reclamações dos fãs da Limão com Mel e os problemas do forró atual

Lendo sobre a indignação dos fãs da Limão com Mel nas redes sociais resolvi dar uma opinião sincera sobre a banda e, como costumo fazer, expandir para o problemas do mercado forrozeiro. Minha reflexão começou a partir de uma postagem que vi por aí e se desdobra neste post aqui:
São tantos problemas misturados que a gente não sabe por onde começar mas vamos dividir a crítica entre a Limão com Mel nos primeiros parágrafos e sobre o que vem acontecendo com TODAS AS BANDAS DAS ANTIGAS no final do texto.

O problema da Limão com Mel não é a qualidade vocal de Diego, César e Michele, talento não falta na banda de Salgueiro. Michele é uma bela revelação, super talentosa e não lhe falta identidade e originalidade, inclusive ela não copia nenhuma das veteranas da LCM e soma na parte musical. Diego Rafael é um super cantor, boa presença de palco e atencioso com os fãs e acho que ele era muito melhor na Gatinha Manhosa, pois apesar do pouco espaço diante de Edson Lima ele podia ter a própria identidade e não ficar sempre com as músicas que eram do Batista (uma responsabilidade imensa) e na minha opinião é o que a diretoria da banda quer “que ele soe como o BL” e isso parece injusto com o potencial do cara. César Salles é um excelente cantor, carismático e amigos dos fãs, seu nome no mercado é diretamente associado à Limão e isso é fruto de muito trabalho, é muito notório o quanto ele é escanteado injustamente pela administração da banda que ignora todos os pedidos de espaço, músicas inéditas em destaque e isso reflete na divulgação quase nula da imagem dele nas redes sociais e numa polarização dos fãs, que não são bobos. Não é possível que tudo isso que se fala seja mentira ou delírio coletivo de nós forrozeiros que acompanhamos o grupo!

A LCM é uma banda que tem seus defeitos mas é extremamente bonita em repertório e no palco, uma das que mais me orgulham. O balé é um dos últimos e o mais original do forró com profissionais esforçados em levar a essência da dança ao romantismo das músicas. Os lançamentos são constantes e dão de 10 a zero na divulgação quado comparamos a outras parceiras das antigas. Quantos CDs saíram do Mastruz, Magníficos, Calcinha Preta, Moleca, Noda..etc? A LCM tem esse cuidado de divulgar inéditas, clipes, promocional, oficial com mais frequência!

O resultado: o forró romântico tá difícil de vender diante da crise e do segmento ostentação e como não poderia deixar de ser a máfia em todos os tipos de forró é enorme. Os shows das outras bandas e da LCM estão sendo cada vez mais em cantos menores, valores mais baratos e rendendo pouco e diante disso fica difícil manter toda a mídia e produção em dia. O ritmo não é feito pra críticos da internet ou para esse grupo que são a minoria, empresário tem amor mas tem luta pelo dinheiro e sobrevivência da empresa. É o capitalismo em sua essência.

As saídas? A mudança do modelo de negócios é urgente e é nisso que todos os empresários tem se perdido porque o mercado mudou. Se por um lado a vaidade do que eles levantaram no passado impede de assumirem que precisam se renovar, por outro, o cansaço e o desespero para ao menos manter o nível do produto levam a saídas, na minha opinião, até vexatórias como o apelo para a música sertaneja, a variação do ritmo forrozeiro para uma estilização feia do sertanejo que nem convence o fã do outro ritmo e nem faz o fã do forró romântico/estilizado de verdade acreditar que aquilo é uma inovação honesta e natural. Esses CDs de Botecos, Bares e Momentos sertanejos não são ingênuos e sem motivos, é a agonia de ver as bandas sumindo do mercado e não se saber exatamente o que vai dar certo. As Coleguinhas conseguiram mas será que a Desejo, a Noda e a Limão terão o mesmo resultado? É triste e desesperador ver as coisas por essa perspectiva mas o nosso carinho pelas histórias eternas permanece e, infelizmente, como ninguém que vibra de verdade por essas empresas (sejam a empresa de Ailton, Jotinha, Gilton, Moisés ou Emanuel) é ouvido de verdade, só nos resta observar e torcer pelos nossos queridos artistas que muitas vezes são apenas personagens de uma história que eles não podem escrever como talvez acreditem.

A guerra ou a lamentação não levam a nada. A opinião sincera, sem agressividade e visando o bem mas sem passar a mão pela cabeça são a saída que conforta o coração porque se de nada adiantar, pelo menos temos ainda nossa consciência limpa de falar com coerência e querer o bem de uma banda ou um artista. Vamos ver esse momento do forró com sabedoria e sem fazer média, sempre digo e repito que o fã que apóia os passos errados de um artista são piores que o inimigo que de forma cruel os levam ao crescimento e a um caminho talvez melhor.

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Publicado em 25 de março de 2016, em coluna falando em forró. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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