PORTALFORRO.NET – Falando em Forró: Gato por lebre e a feira do Forró!

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O binômio eterno do forró ostentação: cachaça e superação amorosa. A sonoridade oscila entre um ou dois tons de swing e percussão, as vozes quase não apresentam diferencial, os cantores todos se auto-denominam ”playboyzão” ”pegador” e ”sacanão”, o público é a classe média que ascendeu financeiramente, cuja diversão do fim de semana é combinada pelo whatsapp, o amor mal resolvido é superado com uma marca de bebida qualquer e para as meninas tem as músicas que falam de recalcada, brilho e maquiagem. É o jeito de viver dessas pessoas, é o que gera milhões para uns empresários e a manada de bandas iniciantes segue sem saber pra onde ir, é preciso respeito a quem acredita nisso. Contudo, quem procura por algo além de diversão a música deles fica devendo em muito na sonoridade e no monotematismo sacau

Do outro lado, vejo cantores bons se perdendo em temas efêmeros, o sucesso do arrocha hipnotizou até mesmo as grandes vozes/estrelas que não combinam com o perfil de riqueza e – para sobreviver – sacrificam até o próprio legado para vender os shows e surfar na tortuosa onda de carreira solo. A liberdade artística é fundamental mas a falta de luz no fim do túnel jamais pode ser confundida o cartel forrozeiro que se estabelece na hora de vender shows e inserir ”qualquer coisa” no espaço de quem seria gabaritado para estar ”ali”. O forrozeiro é o chefe, ele que paga os shows que sustenta o sistema, nessa era que cd não gera mais lucro. Eles, fazem o marketing: alienam, fazem seus alardes de números de download e estouro, a qualidade musical foi posta em uma feira livre desorganizada: muito grito, muito preço barato, há tanto feirante tentando esconder as ”barracas” de qualidade….

NÃO VAMOS comprar gato por lebre, swingueira não é forró, arrocha não é forró, sofrência é só uma palavra que nem foi oficializada na lingua portuguesa e sertanejo de vocês não vai convencer quem passou a vida inteira ouvindo forró de qualidade com um cantor e agora precisa ceder quase que desesperadamente ao mercado e modismo. O forró foi pasteurizado, passaram plástico e botaram algema na criticidade de muita gente e toda essa efemeridade talvez tenha um preço pra nossa cultura e o nosso ritmo. Eu vejo gente boa partindo pro modismo e penso ”Até tu, Brutus?”, não sei até onde vai durar e em que vai resultar tudo isso mas NOSSO RITMO NÃO ESTÁ MORTO, tem gente boa correndo contra a maré neste mercado saturado e que espera pacientemente para ”dar seu show” quando não for mais importante tudo isso!

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Publicado em 26 de maio de 2015, em coluna falando em forró. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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